José Marques
Caro camarada de armas, prezado amigo

Assunto: Confraternização da 1ª CCP do BCP21 - Angola

A exemplo de anos anteriores, vimos junto de todos os ex-combatentes pára-quedistas que prestaram serviço na 1ª Companhia de Caçadores Pára-quedistas do BCP 21 em Angola, convida-los para uma confraternização
A confraternização terá lugar no dia 4 de Julho de 2009 (Sábado), em Viana do Castelo (Quinta do Carvalho – Portuzelo). Com concentração no jardim público em Viana do Castelo. Pelas 11H00
As inscrições/ confirmações, terão de ser efectuadas pelos interessados até ao dia 28 de Junho, impreterivelmente.
Agradecendo desde já toda a atenção dispensada e formulando votos para que adira a este acontecimento, subscrevemo-nos.



Contacto:

José Marques

96 298 2908

BCP21@retalhos.com.pt
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4 Responses
  1. Anônimo Says:

    Minhas Senhoras e meus Senhores


    Num anúncio recente do JN tive conhecimento da realização deste evento. Após uma curta conversa telefónica com o ex-pára-quedista, José Marques, solicitei-lhe que me fosse permitido comungar, desta forma, com a festa que em 04JUL irá ter efeito e que será, certamente, ternurenta, nostálgica (como é hábito) e, obviamente, maravilhosa.

    Não sou nem nunca fui Boina Verde. Desempenhei as funções de cabo amanuense da Força Aérea e tive o privilégio de, durante 25 meses, no BCP-21 em Luanda conhecer e conviver com essa gente audaz, garbosa e fascinante que são os pára-quedistas. Gente ousada mais que quantas!

    Os meus primeiros contactos com os Páras aconteceram aquando do meu curso de amanuense na BA3, localizada no então designado polígono de Tancos, em Abril de 1969. O RCP, em Tancos, era então a génese e traçava o rumo e o perfil comportamental do pára-quedista em toda a sua carreira militar!

    Embarquei no Vera Cruz, na cidade de Lisboa, em AGO69 em conjunto com a 2ª. Companhia de Caçadores Pára-quedistas, rumo ao BCP-21. Chegámos no início de Setembro a Luanda. No percurso comandou a Companhia, assim como outros militares da Força Aérea o então Capitão, António Valério Mascarenhas Pessoa. Ainda no navio comecei por conhecer e fazer amizade com os ex-páras, Pombinho, o Silva, ambos do Porto e outros de que agora apenas me lembro da fisionomia.

    O BCP-21 estava localizado em Belas, aproximadamente a dez quilómetros de Luanda. Era considerado dos mais modernos, funcionais asseados e floridos quartéis militares de toda a África. Naquele tempo, possuía um belo parque desportivo onde normalmente jogávamos andebol e futebol de salão. Comandava o Batalhão, naquela altura, o então Coronel, Rafael Ferreira Durão. A Unidade era composta por três Companhias operacionais (1ª., 2ª. e 3ª.), geograficamente separadas por escassas dezenas de metros, e pela Companhia de Material e Infra-estruturas (CMI). O Comandante da Unidade tinha fama de homem grandemente disciplinado e disciplinador. Avantajada compleição física, cabeça quase rapada, farto bigode, olhar severo, voz de trovão e curtas mas incisivas frases faziam dele uma figura lendária! Diária e pontualmente, o Coronel Durão conduzindo o velhinho Mercedes 180 e acompanhado pelo seu inseparável pastor-alemão entrava na porta de armas. A já de si disciplinadíssima vivência do quartel ficava ainda mais vincada após a sua chegada. A sua acção de condutor de homens fazia sentir-se, sem discriminação, entre oficiais, sargentos e praças. Honra lhe seja feita!

    Na CMI estavam integrados oficiais, sargentos e praças, pára-quedistas e não pára-quedistas. Predominavam os cabos especialistas, amanuenses e outro pessoal do Força Aérea. Também existiam militares incumbidos do tratamento e acompanhamento dos úteis e inteligentes cães de guerra e alguns elementos do Exército Português, normalmente, condutores.

    A CMI era, em 1969, comandada pelo então Capitão SG, Acácio de Oliveira Repolho. Depois, surgiu na sua sucessão, o Capitão pára-quedista, Claudino Cruz Ferreira. A esta Companhia estavam adstritos vários serviços como por exemplo: o Conselho Administrativo, a Secção de Pessoal, a Secção de Expediente, a Secção de Justiça, a Dobragem, os Transportes, as messes e outros.

    Desempenhando as minhas funções de simples amanuense no Conselho Administrativo e tendo escrito inúmeras vezes ao longo de mais de dois anos os nomes de oficiais e sargentos da Unidade é óbvio que fixei até que a minha memória o permita muitos nomes que ajudaram a fazer a história do BCP-21.


    Continua...

    Floripo Salvador


  2. Anônimo Says:

    Assim, estou a lembrar-me do Coronel, Argentino Urbano Seixas que substituiu o Coronel Durão no comando do BCP; do então Major e depois Tenente-Coronel, Heitor Hamilton Almendra; Major, Joaquim Manuel Trigo Mira Mensurado; Capitão, José Agostinho Melo Ferreira Pinto; Capitão e depois Major, António Valério Mascarenhas Pessoa; Capitão, António Loureiro Costa; Capitão, Casaca; Capitão, Claudino Cruz Ferreira; Capitão, Manuel da Silva Agapito; Capitão, Eugénio Caldeira Solano; Tenente e depois Capitão, António Luís dos Santos; Tenente e depois Capitão, José Luís da Costa e Sousa; Tenente, Américo Taliscas; Tenente, Zeferino; Tenente, José Maria da Silva Gonçalves; 1º. Sargº. Francisco Maria Galinha Faro; 1º. Sargº. Fangueiro; 1º. Sargº. Custódio Costa Coutada; 1º. Sargº. António Correia Ferreira; 1º. Sargº. Joaquim Santiago: 2º. Sargº. Joaquim Pedro Rasgado; 2º. Sargº. Picanço; Furriel, Laurindo; os Soldados, Jaime e Peirezes, de Vilarinho das Paranheiras, Chaves, o Soldado, Pobre, do Bragado, Vila Pouca de Aguiar (uma figura mítica do Batalhão. Era uma força da natureza! Numa operação militar chegou a transportar, às costas, o Coronel Durão que havia sido ferido) e ainda os Soldados, Abdul Ibraím Mussagi Faquirá e Laranjo, este morto em combate!

    Que me perdoem aqueles que à cansada memória dos meus cinquenta e nove anos os seus nomes se me escaparam!

    Outros militares não pára-quedistas fizeram parte da história do BCP-21, naquele tempo. Gente não operacional mas indispensável ao funcionamento global do quartel. Estou a lembrar-me dos Majores, Adolfo Ferreira e Mário Luz Y Campeans de Oliveira, ambos presidentes do Conselho Administrativo; Capitães, José Domingos Marques Policarpo e Nobre, membros do CA; Capitães, Manuel Jorge Queirós Medeiros e José Francisco Almeida Partidário, ambos médicos; Capitão, Moreira; Tenente, José da Silva Zenha (dirigia a Secção de Transportes; Tenente, Sequeira (CMI); 1º.s Sarg. Ilídio Armando Fernandes e Ferreira (CA); 1º. Sarg. José Augusto Malaquias (Secretaria da CMI); 1º. Sarg. Mecânico de Rádio, José João Raposo da Encarnação – tinha um programa de música, à noite, na Rádio Eclésia); 2º.s Sarg. Virgílio António, Mourato Sequeira e Joaquim da Conceição Guerreiro (CA); Furriéis Milicianos, Eirado, Arruda e Leite; os Cabos Especialistas, João Manuel Baptista Ferraz, Mecânico de Rádio e natural da Covilhã; Pedro Archer e Sousa Lopes, EABTs; Neca, Enfermeiro; os Cabos Amanuenses, Gilberto Gomes, Manuel Artur Ribeiro da Silva, natural de Lisboa (Secção de Justiça); António da Silva Garcia (Secção de Pessoal); o autor destas letras, Salvador e José Lopes Moreira (CA); Joaquim António Carloto Caldeira (Secção de Transportes); José Manuel Barradas (Expediente Geral); Filipe e Francisco Nave Monteiro (Secção de Pessoal); José Vitor Neto Marques (Secretaria da CMI); o Cabo Condutor, Alcobia e o Soldado Albino Pinto Rabaça, Condutor do Exército.

    Evoco as tardes de praia no Futungo de Belas! Havia a normal condescendência, por parte do plantão, no que concerne à indumentária: de calções, t’shirt, chinelos de borracha de meter no dedo e toalha azul-marinho às costas transpúnhamos, nos momentos disponíveis, a porta de armas, andávamos umas centenas de metros a pé e dispúnhamos nos momentos livres, e especialmente nos fins de semana, da imensidão do mar sereno daquela parte da costa atlântica, das águas mornas e da infinita areia fina e fofa, aspectos bem característicos de todas as praias luandenses.

    Não esqueço a amizade recíproca com os vizinhos Fuzos! Sã camaradagem e grande companheirismo nas viagens dos diversos meios de transporte para a cidade e noutros aspectos relacionados com o lazer das tropas de ambos os quartéis.

    Continua...

    Floripo Salvador


  3. Anônimo Says:

    suculentos caranguejos dispersos em caixas pelo chão, junto aos sacos da roupa! Mas a noite luandense era também passada por inebriantes passeios na Marginal e em encontros com malta amiga, na Portugália, Baleizão, Biker, Gato Preto, Sevilhana, Pólo Norte e outros locais do género.

    Lembro com saudade as idas ao cinema da BA9. Por 2$50 e transporte gratuito, ida e volta, quem não aproveitava?

    Quero ainda recordar o espectáculo bonito dos pára-quedistas a poisar no largo da parada! Às vezes eram elas, as enfermeiras pára-quedistas! Belas, audazes e seguras pousavam na parada como a laboriosa abelha pousa numa flor. Em tom de brincadeira costumávamos dizer: qualquer dia cai uma garota na minha sopa!

    Não posso esquecer os momentos que precediam a refeição do meio-dia! Nos dias em que, por qualquer motivo, o almoço estava atrasado e já depois do Batalhão haver sido, garbosamente, apresentado ao Oficial de Dia punham-nos uma música linda dos anos sessenta e que designávamos por melodia do desespero! O som era propagado a partir do edifício do Comando onde também funcionava a messe dos oficiais. Era uma forma de a mente aconselhar o estômago a alguma contenção!

    Comia-se bem no BCP-21! A confecção era rica e esmerada. Era servido semanalmente um prato que gozava da predilecção geral: carne de porco à alentejana. Quem ficasse ao pé do Mussagi estava safo! É que ele não podia, por imperativos religiosos, comer carne de porco! Ao almoço havia gratuitamente uma Cuca ou Nocal. Quem desejasse repetir pagava 2$50 por cada unidade! Depois era o café no Bar do Soldado! O tabaco também era a preço subsidiado e bem me lembro das marcas: LM, 365, Baía, AC, 8008, 9009, Tivoli e Swing, entre outras! Fumava-se muito no BCP-21! Entretanto, quase ninguém via beatas no chão! A higiene de todo o espaço físico do quartel era sagrada! Também se ouvia muito a rádio! Num tempo em que a televisão era ainda uma miragem em Angola, a rádio, a praia e o cinema consumiam parte substancial dos tempos livres de todos nós.

    Continua...

    Floripo Salvador


  4. Anônimo Says:

    Queria lembrar os momentos de alguma apreensão que se sentiam na véspera do amigo ou amigos que partiam para o Leste uns meses e também os que precediam as operações de tempo mais breve mas de maior risco, noutros pontos de Angola.

    Recordo o infortúnio da morte brutal com arma de fogo do Furriel, Laurindo. Um homem popular e simpático em toda a Unidade. Lembro ainda o estúpido e inexplicável suicídio do 1.º Cabo EABT, Sousa Lopes, de Gondomar. Um rapaz sereno e bom companheiro que não foi capaz de resistir a uma fase menos fácil da sua vida. Enfim, histórias do BCP-21 que não se apagarão facilmente da memória de uns quantos!

    Lembrar ainda que muitos foram os que passaram pelo BCP-21 e se deixaram seduzir pelos encantos e pelo fascínio de Luanda. Alguns respondendo aos apelos dos respectivos corações cruzaram os seus destinos com amores de perdição concebendo novas gerações e por lá ficaram até um tempo que a História quis que fosse novo!

    Sou de opinião que a história do BCP-21 daria um lindo livro! Sobre aquela nostálgica Unidade existem, certamente, documentos escritos e fotográficos e, sobretudo, testemunhos orais que a memória de muitos ainda preserva, suficientes para trazer à estampa um belo e riquíssimo documento histórico e militar. Eis uma boa oportunidade para que as gerações descendentes de tantos militares que por lá passaram possam guardar para si um naco importante da história militar dos seus ascendentes.

    Por último, peço-vos que aceiteis que a prosa contida neste despretensioso texto seja uma romagem de saudade a um local que deixou uma marca indelével em todos quantos por lá passaram ao serviço da nossa Pátria.

    Um grande abraço para todos e votos de um dia muito feliz!





    Floripo Salvador


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